A conclusão do inquérito da Polícia Federal sobre a chamada “Abin Paralela” marca um dos capítulos mais graves da crise política e jurídica que cerca o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu círculo próximo. O indiciamento de Bolsonaro, do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) e do atual diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, expõe o uso irregular da máquina pública para fins de espionagem política durante o governo anterior.
Segundo a PF, o grupo formou uma organização criminosa com o objetivo de monitorar ilegalmente autoridades dos Três Poderes, além de jornalistas. As vítimas da espionagem incluem figuras como o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), entre outros. A investigação apontou a utilização de sistemas invasivos para acessar celulares e computadores, num claro atentado ao Estado Democrático de Direito.
O indiciamento de mais de 30 pessoas, incluindo servidores da Abin e policiais, demonstra a dimensão da rede ilegal de monitoramento. Para a oposição, o caso confirma denúncias antigas sobre o aparelhamento de órgãos de Estado por interesses pessoais e políticos. Governistas e aliados de Bolsonaro, por outro lado, têm reagido com acusações de perseguição política, apostando no discurso de vitimização para mobilizar a base bolsonarista.
A situação cria um novo elemento de instabilidade no cenário político nacional, com potencial para afetar os rumos eleitorais de 2026 e aprofundar o desgaste da direita ligada ao ex-presidente.
O relatório da PF agora segue para o Ministério Público Federal, que decidirá se apresenta denúncia formal à Justiça. Independentemente do desfecho judicial, o episódio já coloca novamente Bolsonaro e seus aliados no centro de um escândalo com graves repercussões institucionais e políticas.
Indiciamento na “Abin Paralela” agrava crise política e jurídica de Bolsonaro e aliados

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