Há décadas, a população de Campos convive com um transporte público caótico, ineficiente e sem perspectiva de melhoria. Governos passam, promessas são anunciadas, projetos surgem e desaparecem, enquanto o cidadão segue à mercê de um sistema que jamais se consolidou.
O histórico é conhecido. Por muitos anos, clandestinos dominaram as ruas; depois, as vans legalizadas surgiram como solução improvisada, tampando buracos que políticas sérias jamais conseguiram preencher. Milhões de reais foram destinados a programas e repasses, ora atrasados, ora mal geridos, enquanto empresas que deveriam entregar o serviço se viram penalizadas em meio à instabilidade de gestões também caóticas. O resultado é um transporte que não atende diversas localidades, com ônibus sucateados, horários descumpridos e cidadãos condenados a esperar indefinidamente por algo que deveria ser básico, a locomoção digna.
No ano eleitoral de 2024, até um plano ambicioso de quase R$ 500 milhões foi anunciado, recursos que viriam do governo federal, para reestruturar o transporte público. Em poucos meses, o projeto ruiu antes mesmo de sair do papel. Mais uma promessa perdida no tempo, mais uma frustração para aqueles que dependem do coletivo para trabalhar, estudar ou simplesmente exercer o direito de ir e vir.
Agora, uma nova paralisação ameaça cortar em 70% um serviço que já se encontra no limite do colapso. É o retrato mais claro da falência das políticas públicas locais e discursos eleitorais que não se traduzem em ação concreta, milhões gastos sem resultados visíveis e uma população que paga o preço do descaso.
O transporte coletivo de Campos é mais do que uma questão de logística, é um termômetro da incapacidade histórica do poder público de oferecer o mínimo de dignidade e eficiência.
O cidadão segue esperando pelo ônibus que não chega e por um governo que, finalmente, encare o problema com seriedade e eficácia.
A novela do transporte público em Campos não é apenas antiga; é sintoma de décadas de negligência, planejamento insuficiente e prioridades equivocadas. O povo espera há anos, e segue esperando, não só pelo coletivo que leve de um ponto a outro, mas por uma administração que trate o direito de ir e vir como um serviço público essencial, e não como instrumento de promessas eleitorais.
A que ponto chegamos?

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