No dia 6 de março de 2025, registrei neste espaço uma leitura antecipada do cenário político que começava a se desenhar em Campos e, por consequência, no tabuleiro maior da política fluminense. O ponto central, a possibilidade concreta de o prefeito Wladimir Garotinho (PP), reeleito com expressivos mais de 192 mil votos, não concluir integralmente seu segundo mandato, optando por retornar a Brasília em uma nova disputa para a Câmara dos Deputados, cargo que já exerceu no biênio 2019–2020.
À época, a análise ia além da simples hipótese eleitoral. Tratava-se também da responsabilidade política de conduzir o último ano de gestão com equilíbrio e organização administrativa, de forma a entregar a Prefeitura em condições sólidas ao vice-prefeito Frederico Paes (MDB), garantindo continuidade, estabilidade e, sobretudo, preservando capital político para os próximos movimentos.
Passados poucos dias desde a virada do ano, é legítimo que essa avaliação deixe de ser apenas um exercício de bastidor e passe a ser uma reflexão pública. Em conversas reservadas com seus pares, tem tratado sua saída como certa e somente esta semana, dois vereadores da base me confirmaram a informação.
No meu entendimento o destino mais provável, ao menos neste momento, continua sendo Brasília. Há, evidentemente, quem defenda seu nome para compor uma chapa majoritária no Estado, na condição de vice-governador, e, sem conseguir disfarçar, é o maior desejo do prefeito.
Haviam as especulações em torno de uma candidatura a vice de Washington Reis (MDB), e mais recentemente de Eduardo Paes (PSB), hoje claramente alinhado ao projeto nacional do presidente Lula, seu maior padrinho político. No entanto, esse caminho carrega obstáculos relevantes. Em disputas dessa natureza, o vice não é figura decorativa. Exige musculatura eleitoral regional, capacidade de transferência de votos e densidade política em áreas estratégicas. Nesse quesito, cresce a leitura de que a escolha tende a recair sobre nomes da Baixada Fluminense, território decisivo em eleições estaduais.
Em resposta direta a uma indagação feita por mensagem, o próprio prefeito manteve o discurso de cautela que vem adotando e nos afirmou que ‘não tem nada decidido, só após carnaval o martelo será batido’. A frase, embora protocolar, não interrompe o ritmo das articulações. No Rio de Janeiro, a política é dinâmica e, muitas vezes, noturna. Personagens que dominam o jogo durante o dia desaparecem à noite, enquanto outros ressurgem com força inesperada. Conversas avançam em ambientes reservados, entre charutos, taças de vinho, risadas calculadas, apertos de mão longos demais para serem apenas cordiais. Às vezes, uma ligação muda tudo.
O fato é que o jogo segue em curso. E, quando se observa o calendário legal, os sinais ficam ainda mais claros. A data que paira no horizonte é 31 de março, com prazo final em 3 de abril para eventuais desincompatibilizações. Não é 1º de abril, apesar de o cenário político fluminense, por vezes, flertar com o improvável.
Enquanto a decisão não é oficialmente anunciada, Campos observa. E aguarda. Porque, mais do que o próximo passo de um líder político, está em jogo o impacto dessa escolha sobre o futuro administrativo e político da cidade. O tabuleiro está montado, as peças seguem se movendo e, como sempre, só depois do último lance saberemos quem, de fato, saiu vencedor.





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