A política, quando menos se espera, se encarrega de criar cenas improváveis, quase irônicas, para testar discursos, alianças e coerências. Campos, cidade que é doma de histórias das mais inacreditáveis, caminha para viver uma dessas situações emblemáticas, daquelas que rendem mais bastidores do que discursos oficiais e que, certamente, não passam despercebidas pelos olhares atentos do tabuleiro. É sobre isso o nosso texto de hoje.
Aqui na nossa linha de raciocínio está de um lado, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), que reeleito com a maior votação da história do município, o governa sob críticas de uma oposição bem restrita, onde está o vereador Maicon Cruz (PSD), oposicionista declarado ao longo de seus seis anos de mandato, pois também se reelegeu, para a Câmara Municipal. Dois campos opostos, duas narrativas antagônicas e, até aqui, trajetórias que pareciam destinadas a nunca se cruzar de forma amistosa. Mas a política adora contrariar previsões.
O ponto de inflexão pode estar no lançamento da pré-candidatura de Maicon Cruz a deputado estadual. Segundo informações de bastidores, o evento quando ocorrer promete musculatura política de peso, com as presenças de dois figurões do cenário estadual. Um deles é o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), que passou a atuar como padrinho político de Maicon, em uma aliança que já não deixa dúvidas quanto à sua consolidação. Até esse ponto, nada que dialogue diretamente com o governo municipal de Campos.
O segundo nome, porém, é o que embaralha o jogo. Trata-se de Eduardo Paes (PSD), que também marcará presença no lançamento da candidatura de Maicon Cruz. Paes, além de prefeito da capital, é também pré-candidato ao Governo do Estado, posição que o coloca no centro das articulações mais sensíveis do momento.
E é aí que a política resolve testar a coerência dos atores. Eduardo Paes pisaria em Campos para prestigiar um aliado do PSD, lançar um pré-candidato competitivo, e não teria ao seu lado o prefeito da cidade, que tanto se movimenta nos bastidores em busca de espaço numa possível chapa majoritária estadual sonhando com a vaga de vice? Para Wladimir seria mais uma demonstração de construção, caminho que tem procurado ao longo da curta jornada.
Se isso ocorrer, o simbolismo será inevitável. Para Maicon, significará a transição definitiva de vereador oposicionista para ator do jogo estadual, capaz de dialogar com diferentes forças. Para Wladimir, será mais uma prova de que, na política, o isolamento cobra preço alto e que alianças improváveis, muitas vezes, são menos sobre afinidade e mais sobre cálculo.
Campos, mais uma vez, se transforma em palco de um enredo que mistura pragmatismo e ironia. Porque, no fim das contas, a política não respeita discursos antigos quando o futuro exige novas fotos. E o palanque, esse espaço sagrado das contradições, pode muito bem ser o lugar onde antigos antagonistas descobrem que o destino tem senso de humor.
Palanque improvável e novos sinais na política de Campos

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