A reabertura dos trabalhos legislativos em Campos, nesta terça-feira (24), não será apenas o fim do recesso parlamentar. A sessão marcada para as 17h, já no plenário reformado da Câmara, inaugura uma nova configuração política que expõe acordos partidários, rearranjos estratégicos e o início, ainda que ‘velado’, do jogo eleitoral de 2026.
Como já antecipado pelo blog em 13 de janeiro, o PDT é o principal vetor dessas mudanças. A legenda, que chegaria a ter três suplentes exercendo mandato simultaneamente, agora reorganiza sua bancada para acomodar interesses eleitorais e compromissos internos. A saída do vereador Cabo Alonsimar e a posse de Felipe Coutinho poderiam manter o quadro de suplência ampliada, ao lado de Rio Lu e Marcelo Ferez. No entanto, o retorno de Leon Gomes ao Legislativo impôs nova equação.
Para preservar o acordo político firmado entre Alonsimar e Coutinho, foi necessária uma articulação direta com o Executivo. O prefeito Wladimir Garotinho reacomoda Marcelo Ferez no governo municipal, enquanto Alonsimar migra para a subsecretaria de Serviços Públicos. O movimento revela um padrão já conhecido na política, com o Executivo como eixo de compensação para equilibrar forças na Câmara e manter a coesão da base.
O retorno de Leon Gomes também tem leitura eleitoral. Após presidir novamente a Fundação Municipal da Infância e Juventude, ele reassume o mandato já projetado como nome do PDT à Câmara Federal. Trata-se de uma construção que dialoga diretamente com o próprio campo político do prefeito, que, ao que tudo indica, também mira Brasília.
Na mesma lógica de desincompatibilização, volta ao Legislativo o vereador Marquinho do Transporte, deixando a presidência da Empresa Municipal de Habitação. O gesto confirma sua pré-candidatura a deputado estadual e reforça a tendência de que a Câmara será cada vez mais atravessada por agendas eleitorais, já que outros vereadores também são hoje pré-candidatos ao Congresso ou a Alerj.
As mudanças, portanto, vão além da troca de nomes. Elas sinalizam o início de uma fase em que mandatos e cargos no Executivo passam a funcionar como peças de um tabuleiro maior, voltado às disputas proporcionais de 2026. Até mesmo a reforma física do plenário, entregue no retorno das sessões, serve de metáfora para o momento, com uma Câmara renovada na forma, mas sobretudo reposicionada no conteúdo político.
Câmara de Campos retoma as atividades com mudanças de nomes e estruturais

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