O anúncio público da delegada Madeleine Dykeman (União) de que rompeu com a família Bacellar e que passa a alinhar sua ainda recente trajetória política ao projeto nacional do senador Flávio Bolsonaro (PL) lhe reposiciona, de forma brusca, no xadrez eleitoral de Campos. O gesto que chamou a atenção nas redes sociais nesta segunda-feira, explicita uma aposta de alto risco, ao querer construir musculatura própria em um ambiente historicamente dominado por clãs políticos e pela força da máquina municipal, mas digamos, é democrático e direito de todos.
Madeleine reivindica independência. É um ativo simbólico relevante, sobretudo para uma delegada com reputação profissional consolidada. Mas independência, em política local, precisa vir acompanhada de lastro organizativo, capilaridade territorial e narrativa competitiva. Em 2024, seus quase 70 mil votos foram alcançados sob o guarda-chuva estrutural e comunicacional dos Bacellar, que lhe ofereceram palanque, rede e densidade eleitoral. Ao romper com essa base, a pergunta central deixa de ser sobre sua biografia, sólida, e passa a ser sobre sua engenharia política. O que, concretamente, ela tem a oferecer agora sem esse aparato?
O problema se amplia quando se observa o campo adversário. De um lado, a família Garotinho lançando nome competitivo para a mesma faixa de disputa, a de uma cadeira no Congresso. O prefeito Wladimir Garotinho, recém-reeleito com cerca de 192 mil votos, controla a máquina e mantém alta centralidade no eleitorado. Nesse cenário, a migração de Madeleine para o eixo bolsonarista local, o mesmo ocupado por Wladimir levanta um dilema prático, até que ponto Flávio Bolsonaro se engajaria pessoalmente por uma candidata em uma cidade governada por aliado relevante? Política é hierarquia de prioridades. E Campos, embora estratégica, não é o único tabuleiro do senador.
Há ainda o fator detonador do rompimento. A sequência de eventos sugere que a decisão de Madeleine dialoga mais com a dinâmica local, especialmente com a relação tensionada com Wladimir, do que com uma estratégia nacional previamente maturada. O prefeito não elevou o tom e fez uma indagação pública que, ao que parece, produziu efeito desproporcional. A resposta da delegada veio em forma de ruptura e alinhamento externo. A metáfora do “.44” é tentadora, um disparo de alto impacto, que produz ruído imediato, mas cujo recuo pode comprometer quem o aciona. Se a intenção era demonstrar autonomia, o efeito colateral pode ser o isolamento.
Não seria mais simples, mais interessante anunciar o apoio cristalino ao Senador e seguir a vida, sem o tiro no peito do então aliado? O temos ruptura é pesado, é um fardo para quem recebe, e só se costuma ver em casos de severas questões insanáveis que podem levar a tanto. Não foi uma declaração depois de ser pega de surpresa. Foi planejado, foi gravado, talvez por duas, três, quatro ou mais vezes até ficar ‘bom’. No campo político causou, mas não ficou no tom adequado.
O pós-anúncio reforça essa leitura. Integrantes da família Bacellar reagiram com indiretas públicas, sinalizando que o rompimento não foi apenas político, mas também relacional. Em cidades médias, onde redes pessoais e políticas se confundem, esse tipo de fratura cobra preço elevado. Sem a antiga retaguarda e diante de adversários com bases orgânicas consolidadas, Madeleine terá de provar rapidamente que sua votação passada era, em boa medida, dela, e não do arranjo que a sustentou.
No curto prazo, a delegada ganha visibilidade e reafirmação identitária junto a um eleitorado de direita que busca referência local. No médio, porém, precisará apresentar a “receita” com equipe, captação, agenda, alianças e presença territorial. Caso contrário, o movimento corre o risco de ser lido como tiro no pé, não apenas para uma vitória sonhada, mas para a própria viabilidade da candidatura. Política, afinal, não é só coragem de romper; é capacidade de substituir o que se rompeu. Vamos acompanhar.
Aposta no salto é estratégia ou tiro no pé com uma 44?

You Might Also Like
O carnaval acabou, mas a direita colocou o bloco nas Ruas e sem ‘Paes’
fevereiro 25, 2026
Aposta no salto é estratégia ou tiro no pé com uma 44?
fevereiro 24, 2026
‘Direita, volver!’
fevereiro 23, 2026



Fiquei chocada com essa decisão, pois foi através de Rodrigo Bacellar, que ela ficou conhecida em toda baixada fluminense. Eu fui a única mulher que estampei o rosto dela na minha camisa. Sendo assim não estarei com ela nas próximas eleições. Continuo sendo Rodrigo Bacellar Sempre! Participei da campanha eleitoral dando o máximo de mim, pedindo votos à meus amigos, ex alunos e primos sem tirar um tostão.
Espero de coração que seja estratégia para até mesmo conseguir unir , ajudar e fazer a força para o grupo Bacellar.