A terça-feira (24) pós-Carnaval trouxe mais do que ressaca para a política fluminense. A cúpula nacional do PL decidiu apresentar novo enredo, com direito a alegorias e alas completas, a composição do bloco conservador no Rio de Janeiro. A fotografia política formada por PL, PP e União Brasil não apenas consolida uma aliança robusta como reposiciona o tabuleiro estadual. E, convenhamos, “coloca o bode na sala” e “aluga um tríplex” na cabeça do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo estadual.
O gesto mais simbólico veio com a presença de Flávio Bolsonaro (PL), que, mesmo mantendo sua rota nacional como presidenciável apareceu como fiador das alianças regionais entre as três legendas. A mensagem é clara e o campo bolsonarista fluminense não apenas está unido como se antecipa à movimentação adversária, fechando portas e ocupando espaços nobres. Não há como negar e nessa força tarefa Flávio Bolsonaro com Altineu Cortes (PL) e Doutor Luisinho (PP), se articularam com maestria.
A principal surpresa, e golpe estratégico foi a confirmação do deputado estadual Douglas Ruas (PL) como pré-candidato ao governo do Estado. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), Ruas representa a nova geração do bolsonarismo raiz na Região Metropolitana. Sua indicação frustrou diretamente a tentativa de aproximação de Paes com o clã gonçalense. O prefeito carioca havia buscado Nelson como potencial aliado, mas viu o tabuleiro virar quando o PL decidiu não apenas manter o grupo unido como lançar Douglas Ruas ao Palácio Guanabara.
A escolha do vice reforça o caráter de aliança ampliada, com Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu e figura com densidade eleitoral na Baixada Fluminense. A chapa Ruas–Lisboa forma um eixo metropolitano clássico, São Gonçalo e Baixada, capaz de disputar diretamente o eleitorado popular e conservador que Paes tenta seduzir ao se lançar ao governo. Nos bastidores, a dupla já é apontada como favorita ao chamado “mandato tampão”, caso se confirme a eleição indireta pela Assembleia Legislativa. Nessa hipótese, os 70 deputados estaduais seriam os eleitores e o PL já chega com bancada robusta e aliados.
Enquanto isso, o atual governador Cláudio Castro (PL) cumpre o roteiro que ele próprio desenhou, projetando deixar o governo para disputar o Senado, posição em que mantém recall e estrutura. Ao seu lado, como segundo nome do bloco, surge Márcio Canella (União Brasil), prefeito de Belford Roxo, consolidando a presença do União na aliança e garantindo capilaridade em regiões estratégicas do estado.
Do outro lado do tabuleiro, Paes monta sua própria frente. Ao escolher a vice ligada à família Reis, com Jane Reis, em acordo com Washington Reis (MDB), o prefeito buscou penetrar na Baixada, território onde o bolsonarismo é forte. O movimento foi lógico, mas a resposta do PL–PP–União veio rápida e organizada, fechando a principal porta que Paes tentava abrir com a aliança com São Gonçalo.
O resultado é um redesenho imediato das forças. Se antes Paes contava com fragmentação do campo conservador, agora enfrenta um bloco coeso, com nomes definidos e narrativa unificada. Na linguagem popular, o “bloco” saiu para Ruas, não para Paes. E isso muda o clima da disputa, e em vez de favoritismo isolado, o prefeito passa a encarar uma eleição polarizada desde o início.
Há ainda um componente simbólico relevante. A presença simultânea de PL, PP e União Brasil indica que o bolsonarismo fluminense optou por estratégia de frente ampla à direita, abandonando disputas internas. É uma coalizão que combina máquina partidária, capilaridade e recall ideológico. Em um estado onde o voto conservador é expressivo e territorialmente distribuído, trata-se de um ativo poderoso.
No fim das contas, a terça-feira pós-folia deixou claro que, se o Carnaval terminou, a política do Rio entrou em ritmo de bateria acelerada. O bloco conservador desfilou unido, com samba-enredo pronto e alas organizadas. Do outro lado Paes segue fortalecido e abrindo novas frentes, mas a disputa que parecia resolvida, vê um novo cenário onde tirar a nota 10, não será tão simples.
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