A recente assinatura do convênio entre a Agência Nacional de Energia Elétrica e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro é apresentada como avanço institucional. No papel, parece mesmo. Na prática, porém, o que está em jogo é algo muito mais urgente, que é a resposta a uma sequência de episódios de caos energético que têm castigado o Rio de Janeiro de ponta a ponta, e não apenas o nosso Estado, mas diversas regiões do país.
Não estamos falando de um problema pontual. Estamos falando de bairros e municípios inteiros que ficam às escuras por horas, às vezes dias. Estamos falando de comércios que acumulam prejuízos, hospitais que operam no limite, famílias que perdem alimentos e convivem com oscilações constantes de tensão elétrica. Estamos falando de um serviço essencial que, em pleno 2026, ainda falha de forma inaceitável.
Diante desse cenário, descentralizar a fiscalização pode ser um caminho. Mas também pode virar apenas mais um gesto burocrático se não houver firmeza real na cobrança das concessionárias. O cidadão fluminense está cansado de pagar caro por um serviço instável, inseguro e ineficiente. A conta de luz não para de subir. A paciência da população, sim, está no limite.
O convênio entre ANEEL e Agenersa precisa significar mais do que cooperação técnica. Precisa significar presença. Fiscalização em campo. Multas quando houver descumprimento. Transparência nas metas de qualidade. Divulgação clara dos indicadores. O que não cabe mais é o jogo de empurra entre instâncias reguladoras enquanto o consumidor fica no escuro, literalmente.
Há ainda um ponto político inevitável. Quando falamos de energia, falamos de desenvolvimento, de geração de empregos, de segurança pública e de dignidade. Um estado que enfrenta sucessivas crises estruturais não pode conviver com instabilidade no fornecimento elétrico. A precariedade energética amplia desigualdades e compromete a credibilidade institucional.
Se o Rio de Janeiro vive uma série de episódios de desorganização em diferentes áreas, a energia não pode entrar para essa lista. A parceria anunciada só terá legitimidade se resultar em melhora perceptível no cotidiano das pessoas.
A pergunta que fica é quem será responsabilizado quando a próxima grande interrupção acontecer? O consumidor já cumpre sua parte, pagando em dia uma das tarifas mais altas do país. Agora é hora de os órgãos reguladores demonstrarem que fiscalização não é discurso, é ação concreta.





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