O anúncio de que as eleições de 2026 do Sistema CFT/CRTs (Conselho Federal e Conselhos Regionais dos Técnicos Industriais) serão 100% digitais não pode, e não deve, ser tratado apenas como um avanço tecnológico. Trata-se de uma resposta tardia, porém necessária, a um histórico recente de escândalos que corroeram a credibilidade do sistema, especialmente no CRT/RJ, onde a crise institucional atingiu níveis alarmantes.
É inadmissível que uma conquista histórica da categoria, o direito a um Conselho próprio, fruto de décadas de lutas dos técnicos industriais, esteja sendo manchada por práticas escusas, denúncias protocoladas de fraudes eleitorais, afastamentos, sindicâncias, estruturas administrativas comprometidas por interesses pessoais e políticos. O Rio que deveria ser vitrine de excelência se tornou símbolo da crise.
Agora, mais recente e entregue essa semana, a compra de uma sede com valores considerados fora da realidade, em meio as rupturas internas entre dirigentes, depois de intervenções federais, o que mostra que o sistema foi capturado por práticas que destoam completamente do interesse público.
Não estamos falando de boatos. As denúncias que envolvem a Regional do Rio e outras partes do sistema estão hoje sob investigação da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal. E, enquanto essas investigações caminham, os técnicos seguem assistindo ao desmonte moral da estrutura que deveria representá-los.
É por isso que o sistema 100% digital se impõe como medida urgente, para garantir, com auditoria externa e máxima segurança, que cada técnico industrial possa exercer seu direito ao voto sem manipulações ou favorecimentos. É necessário garantir um pleito transparente, democrático e acessível a todos os profissionais do país, especialmente aos que hoje se sentem órfãos de representação e que possam se sentir ainda, motivados a votar.
Sem ilusão. A moralidade exigida vai além da urna digital. O CFT e os CRTs precisam passar por uma reforma moral, sem aparelhamento do sistema e construir um novo pacto institucional baseado em ética, transparência e meritocracia. Não se pode tolerar que cargos estratégicos sejam usados como moeda de troca para manter estruturas de poder podres e que traem a confiança da categoria.
Escandaloso e vergonhoso que levou ao afastamento do presidente do CFT por acusação de assédio sexual, uma denúncia gravíssima gravada e publicitada que, por si só, expos a Autarquia em ato deplorável. No entanto, assim como outros casos vergonhosos, o episódio permanece sem explicações claras, mergulhado na lentidão da Justiça.
As eleições de 2026 devem ser o divisor de águas. Ou o Sistema CFT/CRTs se reergue, baseado nos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, ou seguirá mergulhado na desconfiança e no descrédito, dessa página de vergonha.
O voto digital é o primeiro passo. O próximo deve ser a renovação ética e o compromisso inegociável com os profissionais que sustentam, com trabalho e dignidade, o seu Conselho.
Eleições 100% digitais no CFT/CRTs é necessário diante de escândalos de toda ordem

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[…] Uma série de denúncias sobre a gestão do Sistema CFT/CRTs (Conselho Federal e Conselhos Regionais dos Técnicos Industriais) faz aumentar a tensão sobre o processo eleitoral da entidade, que será no ano que vem, de forma 100% digital pela primeira vez. As informações são do colunista Leandro Nunes, do portal MancheteRJ. […]
Muito boas suas observações, destaco que os técnicos tem que participar mais buscarem os conhecimento e fazerem suas reflexões, afinal e o dinheiro deles que esta sendo usado para essas babujas que estamos vendo. Uma nova oportunidade surge de conhecermos aqueles que pelo moral e a ética estejam dispostos a mudar a nossa historia que começou mal.