Inicio esse texto destacando primeiramente que sou Goytacaz e Flamengo, exatamente nessa ordem, de alma e arquibancada. Sou daqueles que acreditam que o futebol é mais do que um jogo, é religião, poesia, drama e redenção. E é justamente por isso que hoje, com o coração tomado pela mais pura emoção futebolística, me rendo ao que o Fluminense tem feito. Porque só quem ama o futebol entende quando ele se agiganta além da rivalidade.
O Tricolor das Laranjeiras, do meu padrinho Tio Zé, do meu Tio Alcides, do meu irmão que a vida me deu Preto, do amigo de infância Amaral e de todos os demais, o tricolor ‘deles’ está escrevendo uma daquelas histórias que fazem justificar ser o futebol o maior espetáculo da Terra. A campanha no Mundial de Clubes é um enredo digno das crônicas eternas de Nelson Rodrigues, ele mesmo, o tricolor mais teatral, mais exagerado, mais verdadeiro que o Brasil já viu. Se estivesse vivo, Nelson já teria dito que o Fluminense está vivendo uma “epopeia de marmanjos chorando”, e que o próximo jogo de terça-feira, contra o Chelsea, nas semifinais é “um apocalipse em chuteiras”.
É bonito de ver. A coragem de quem não teme a camisa pesada dos adversários, e, mais do que isso, o que esse Fluminense está mostrando é alma. É o futebol brasileiro em estado de graça, com sua irreverência, sua ginga e sua capacidade única de emocionar o mundo.
A coincidência que emociona? Justo agora, quando tantos duvidam do nosso futebol, um time que há pouco tempo era tratado com desdém, ressuscita a fé de milhões e nos faz lembrar que “os deuses do futebol não têm compromisso com a lógica”, como escreveu Nelson. Sim, o improvável está no nosso DNA. O Brasil é o país onde o impossível acontece entre o apito inicial e o último suspiro da arquibancada.
O torcedor tricolor que hoje sonha com o mundo é o mesmo torcedor brasileiro que chora, vibra e acredita que a bola pode mudar destinos. Como flamenguista, aplaudo. Porque amar o futebol é saber reconhecer quando o rival é melhor, ou ao menos, vive esse momento de supreriodade. E esse Fluminense, meus amigos, está honrando o futebol brasileiro.
Na próxima terça-feira, o país estará dividido por cores, mas unido por uma mesma emoção. E quem sabe, lá no céu, Nelson Rodrigues, entre um trago e uma crônica, não diga com aquele seu exagero sagrado que “o Fluminense não joga. Ele desfila no céu do futebol”.
Boa sorte, Flu. O futebol brasileiro agradece!
Nem amarela, azul ou vermelha, a camisa do Brasil hoje é Tricolor

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