O blog ouviu nesta quinta-feira (30), o ex-secretário de Segurança Pública e ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, Álvaro Lins. Ele comentou as ações da polícia fluminense realizadas na última semana contra o Comando Vermelho, que resultaram em dezenas de mortes e prisões. No seu entendimento, o saldo da operação revela um problema estrutural mais profundo.
“Esse fenômeno começou com a redução de operações policiais durante a pandemia e se agravou após a decisão do STF na ADPF 635, que praticamente proibiu incursões em comunidades”, destacou Lins.
O ex-secretário também defendeu que a maioria dos moradores das comunidades apoia a presença policial, embora muitas vezes não possa expressar isso publicamente por medo de represálias. “As autoridades precisam lembrar que os trabalhadores que moram nessas regiões desejam que a ordem seja restabelecida e apoiam a polícia, mas não podem se manifestar. Daí os meios de comunicação acabam ouvindo apenas as pessoas que falam aquilo que os traficantes autorizam ser dito, como se esse fosse o pensamento dominante numa favela”.
Sobre a estratégia da operação, Lins considerou que o planejamento foi “muito bem desenhado”, elogiando a tática de forçar os criminosos a se deslocarem para áreas de mata inabitadas, o que reduziu o risco para os moradores. No entanto, ele lamentou a falta de apoio do governo federal.
“O lamentável foi saber que o governo federal se negou a emprestar os veículos militares blindados para transporte dos policiais. Isso poderia ter reduzido o risco e permitido que a polícia alcançasse mais rapidamente os pontos estratégicos”, afirmou.
Para Álvaro Lins, o episódio serve como alerta sobre a necessidade de uma política de segurança pública integrada, com respaldo político e logístico de todas as esferas de governo. “Enquanto o poder público não atuar de forma coordenada e contínua, com presença efetiva do Estado, o crime continuará avançando sobre o território e sobre a vida das pessoas que mais precisam de proteção”, concluiu.
Ex-secretário de Segurança, Álvaro Lins aprova operação e diz que avanço das facções é reflexo da redução de ações nas comunidades

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