O episódio vivido nos últimos dias no Shopping Popular de Campos, o Camelô, escancarou muito mais do que falhas técnicas, revelou um grave problema de responsabilidade pública, de gestão e, sobretudo, de respeito.
Permissionários que comercializam celulares, brinquedos, relógios e uma infinidade de produtos foram surpreendidos por uma vistoria do Corpo de Bombeiros. Até aí, tudo certo. Fiscalizar é necessário, prevenção salva vidas e ninguém discute a importância de sistemas de combate a incêndio funcionando corretamente. O problema começa quando, ao acionar esse sistema, o que se viu foi o caos.
Hidrantes vazando, água jorrando pelos corredores, infiltrações por diversos pontos e, para piorar, água suja atingindo bancas inteiras. O resultado foi pânico, correria e prejuízo. Quem trabalha com eletrônicos teve perdas imediatas. Produtos danificados, mercadorias inutilizadas, dias de trabalho comprometidos. Para muitos, um prejuízo que não será facilmente recuperado.
É impossível analisar esse episódio sem lembrar de um detalhe fundamental, de que o espaço foi entregue há pouco tempo, após uma grande obra de reforma e ampliação. Uma obra marcada por anos de atraso, promessas e expectativas frustradas. Depois de muito tempo fora, os permissionários retornaram acreditando, legitimamente, que estavam ocupando um espaço seguro, testado, aprovado e pronto para funcionar.
E é aqui que a pergunta central que precisa ser feita sem rodeios, de quem é a responsabilidade?
O Corpo de Bombeiros realiza, neste período, testes e vistorias em diversos shoppings pelo Estado. Isso não é novidade. Há o questionamento de não ter comunicação prévia, e, principalmente, garantia de que o sistema estivesse em condições mínimas de ser acionado sem causar um desastre em um local com trabalhadores presentes e mercadorias expostas.
Mas se o Camelô está liberado é porque essa liberação passou obrigatoriamente por laudos técnicos, ou não? Entre eles, o do próprio Corpo de Bombeiros. Se há um alvará, se o espaço foi entregue oficialmente, algo está muito errado quando um simples teste provoca vazamentos generalizados e inunda corredores. Isso é grave e vai além dos prejuízos materiais.
Isso nos leva a outro ponto sensível, que é a empresa responsável pela obra. Quem executou, quem fiscalizou e quem assinou a liberação do espaço? Uma reforma milionária não pode resultar em hidrantes que vazam, estruturas que não suportam testes básicos e sistemas que, ao invés de proteger, causam danos.
E, claro, há a responsabilidade do poder público. A Prefeitura, como gestora do espaço e responsável pela entrega aos permissionários. Ao permitir o retorno dos trabalhadores, assume-se implicitamente que o local está apto, seguro e dentro das normas. Caso contrário, não é apenas falha administrativa. É negligência.
Quem paga a conta do prejuízo material é o mais fraco? O pequeno comerciante, o permissionário que investiu o pouco que tinha?
O episódio do Shopping Popular precisa ir além da nota oficial e das justificativas técnicas. Ele exige respostas objetivas, transparência e, principalmente, responsabilização. Alguém errou. E esse erro não pode ser naturalizado como um simples “incidente”. Segurança não pode ser discurso. Tem que ser prática.
Quando a conta cai no colo de quem trabalha

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