O xadrez político do Rio de Janeiro começa a ganhar contornos mais nítidos à medida que o calendário eleitoral se aproxima, e dois nomes estão no centro das articulações, e são eles os prefeitos de Campos, Wladimir Garotinho (PP), e do Rio, Eduardo Paes (PSD).
Nos bastidores, cresce a movimentação em torno de possíveis composições para 2026. Tentei contato com Wladimir para comentar uma reunião marcada para a próxima segunda-feira com todo o seu secretariado e equipe de governo, apontada por interlocutores como estratégica. Não houve retorno. Ainda assim, uma fonte ligada internamente ao governo trouxe elementos que ajudam a entender o cenário em formação.
Segundo essa fonte, a preferência pessoal de Paes, caso pudesse decidir isoladamente, seria do prefeito de Campos. ‘Se ele pudesse escolher um nome hoje, esse nome seria Wladimir”, afirmou, ponderando que a construção de uma aliança formal entre os dois passa por uma equação partidária delicada. ”A composição com Paes depende de uma aliança mais ao centro, e isso ele vai ter muita dificuldade em fazer. O PT está pressionando’.
A leitura que se faz, a partir dessas informações, é que uma eventual chapa com Wladimir na condição de vice de Paes para o Governo do Estado se torna, neste momento, um cenário ainda mais distante. As amarras partidárias, os interesses regionais e a pressão de aliados tradicionais de Paes funcionam como freios importantes a esse desenho.
Por outro lado, o prefeito de Campos parece ter consolidado um caminho próprio dentro da política fluminense. Reeleito com ampla vantagem no município, Wladimir ampliou sua projeção estadual e hoje é visto como um nome viável para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Nesse contexto, uma aliança com Paes poderia ocorrer em outro formato, menos eleitoral e mais estratégico.
Há quem aposte que, em um cenário de dupla vitória nas urnas, sendo Paes ao Governo do Estado e Wladimir à Câmara Federal, a parceria poderia se traduzir futuramente em espaço no primeiro escalão do Executivo estadual. Uma secretaria de peso não é descartada, o que manteria o prefeito campista em evidência e o ampliaria no tabuleiro fluminense.
Esse movimento dialoga com um projeto político de longo prazo. Wladimir, herdeiro de um dos sobrenomes mais conhecidos da política do interior do Rio, tem demonstrado disposição e maturação para construir etapas, respeitando o tempo de cada voo mais alto. Foi assim até chegar à Prefeitura de Campos e, ao que tudo indica, a lógica segue a mesma para os próximos passos.
Por ora, o que existe é articulação, leitura de cenário e muita conversa de bastidor. Mas, como ensina a própria política, alianças improváveis podem nascer de necessidades comuns, e, também podem morrer antes mesmo de ganhar forma.
Aprendi na política que ‘para quem não sabe onde quer chegar, qualquer vento é contra’, frase de Sêneca, filósofo romano.
‘Se ele pudesse escolher um nome hoje, esse nome seria Wladimir’

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