A direita fluminense, e por extensão a brasileira, vive um momento em que a política deixa de ser um tabuleiro previsível para se tornar um terreno de incertezas, ambições cruzadas e projetos pessoais em disputa. Às vésperas das convenções que antecedem o ciclo eleitoral de 2026, os grupos conservadores enfrentam dilemas simultâneos nas três esferas de poder. De Campos ao Planalto, a pergunta é quem vai, quem fica e com quem. Daí o sentido do título desta reflexão, “Direita, volver!”, o comando militar que ordena dar meia-volta e reorganizar a formação, metáfora adequada para um campo político que parece precisar se recompor antes de avançar.
Em Campos, o prefeito Wladimir Garotinho vive uma encruzilhada. Reeleito com a maior votação da história e ainda em meio ao mandato, flerta com a possibilidade de deixar o Progressistas rumo ao MDB, enquanto avalia se permanece no cargo ou disputa uma vaga na Câmara Federal. O projeto de compor como vice de Eduardo Paes (PSD) se dissipou, e as especulações sobre uma improvável aproximação com o PL soam mais como ensaio tático do que decisão real. O cenário sugere cautela, e o choro com tom de despedida no último final de semana demonstra que as malas estão prontas.
No Estado do Rio, a indefinição ganha contornos institucionais. Em meio à crise fiscal e ao tensionamento entre Poderes, o governador Cláudio Castro (PL) também mede o tempo político e seu objetivo é o Senado, com apoio de Flávio Bolsonaro (PL). Mas a equação entre deixar o governo, manter governabilidade e construir palanque competitivo ainda não se resolveu. Assim como em Campos, a dúvida não é o destino, mas o momento de partir.
No plano federal, a turbulência é mais visível. O grupo que orbitava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta fissuras internas. Mesmo preso, ele indicou preferência pelo filho Flávio Bolsonaro como herdeiro político imediato, movimento que não pacificou o campo conservador. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL) segue distante, geográfica e politicamente sem a centralidade de antes, enquanto ataques dirigidos a Nikolas Ferreira (PL) e à madrasta Michelle Bolsonaro expõem um racha antes maculado. A direita, construída sob forte personalismo, mostra dificuldade de transição de liderança, e é justamente essa desorientação que ecoa o chamado simbólico do título, ‘Direita, volver!’.
Enquanto resolve suas próprias equações, candidaturas, partidos e heranças políticas, o campo conservador pouco olha para o adversário, que observa em silêncio. Em política, o tempo raramente perdoa hesitações prolongadas. À medida que as eleições 2026 se aproximam, a direita precisará decidir não apenas nomes, mas rumos. Em certos momentos, dar meia-volta não é recuar, é a única forma de voltar a marchar em ordem.
Aqui no interior, onde a política também se aprende nos ditos antigos, há dois lembretes que cabem como luva neste momento da direita, um é de que em casa que falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão; e em panela que mais de um mexe, a comida desanda. Traduzindo para o tabuleiro eleitoral, quando faltam rumo e liderança clara, sobram disputas internas e decisões atravessadas.
‘Direita, volver!’

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