A última plenária do Conselho Federal dos Técnicos Industriais não deixou margem para dúvidas. O que antes era tratado em conversas de bastidores agora foi admitido em público, de forma direta e preocupante. O processo eleitoral da entidade está sob suspeita, e a crise já não pode mais ser disfarçada.
O ponto de ruptura veio da própria condução da sessão. Ao reconhecer que a resolução eleitoral foi construída internamente, mas vem sendo amplamente descumprida, o presidente em exercício não apenas expôs, mas legitimou as irregularidades, ao admitir que a maioria dos candidatos comete as anormalidades, ele próprio inclusive além de integrantes da própria estrutura, o que se ouviu foi mais do que um alerta. Foi a constatação de que o sistema não está funcionando.
A tentativa de relativizar o descumprimento das regras sob o argumento de que “todos fazem” não ameniza a situação. Agrava. Quando a exceção vira regra, o que se instala é a normalização da irregularidade. E quando isso parte de quem deveria garantir o cumprimento das normas, o efeito é devastador.
A reação interna foi imediata para os que entendem que a resolução está sendo desrespeitada. Não se trata de interpretação, mas de constatação. O embate escancarou uma fratura institucional que vai além de divergências pontuais. Coloca em dúvida a capacidade do Conselho de conduzir um processo eleitoral minimamente equilibrado.
Às vésperas da votação, marcada para os dias 21 e 22 de maio, em formato digital, cresce a percepção de que a disputa não ocorre em condições iguais. E essa é a essência do problema. Não há democracia possível quando as regras não são aplicadas de forma uniforme.
As denúncias se multiplicam. Relatos sobre uso indevido de estruturas institucionais e até de símbolos ligados à administração pública, prática vedada pela Resolução 277/2025 seguem sem resposta objetiva. O silêncio, nesse contexto, não é apenas omissão. É conivência percebida.
O histórico recente só reforça esse cenário. Processos de apuração anteriores mobilizaram tempo e recursos, mas não produziram efeitos concretos. O resultado é um ambiente onde a sensação de impunidade deixa de ser percepção e passa a ser expectativa.
Quando não há consequência, a regra perde valor. E quando a regra perde valor, o processo perde legitimidade.
O princípio da igualdade entre candidatos, base de qualquer eleição séria, é comprometido quando há tolerância seletiva. Quem cumpre as normas passa a competir em desvantagem. Quem ignora, segue sem freio. É a inversão completa da lógica.
As instâncias eleitorais, por sua vez, já perderam o tempo de agir com firmeza. Com os prazos praticamente esgotados, restam medidas tardias, incapazes de reequilibrar o processo antes da votação.
E há uma contradição que se impõe. A instituição que tem como missão coibir o exercício irregular da profissão agora enfrenta questionamentos sobre sua própria disposição em fazer cumprir as regras que criou. A incoerência não passa despercebida.
O que está em jogo não é apenas uma eleição. É a autoridade institucional do próprio Conselho. Se as normas podem ser ignoradas sem consequência, qual é, afinal, o peso dessas normas?
A pergunta que fica é inevitável e incômoda. Como exigir respeito às regras se elas não são respeitadas internamente?
O CFT chegou a um ponto de inflexão. Ou reage com decisões claras, firmes e imediatas, ou consolida um cenário de desconfiança que pode marcar, de forma duradoura, sua imagem institucional.
Credibilidade não se declara. Se sustenta. E, neste momento, é exatamente isso que está faltando.





Brilhante este trabalho pois contra a constatação dos fatos não há argumentos.
Muito bom o trabalho do Leandro
Está bem claro. Os técnicos querem uma resposta. O CFT não pode continuar omisso.