Um novo episódio envolvendo denúncias graves dentro do Sistema CFT/CRTs voltou a colocar em xeque a credibilidade da estrutura criada há pouco mais de oito anos para representar os técnicos industriais no país. Desta vez, o centro da crise é o Conselho Regional dos Técnicos Industriais de São Paulo (CRT-SP), alvo de um Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Civil paulista com acusações que incluem suposto estelionato e associação criminosa.
O caso ganhou contornos ainda mais delicados por envolver nomes ligados diretamente à atual gestão do conselho e ao processo eleitoral em andamento no sistema CFT/CRTs. O registro policial aponta suspeitas relacionadas à emissão de TRTs (Termos de Responsabilidade Técnica) sem o devido recolhimento das taxas obrigatórias da autarquia entre os anos de 2019 e 2023, envolvendo serviços executados na cidade de Americana, interior de São Paulo.
Segundo o documento registrado no 8º Distrito Policial do Brás, em São Paulo, o conselheiro Rafael da Silva relatou ter encontrado, dentro da sala da presidência do CRT-SP, uma relação interna de TRTs supostamente emitidas sem pagamento, embora constassem com serviços iniciados e concluídos.
O relato descrito no boletim é extremamente sensível porque atinge diretamente o coração administrativo e financeiro da autarquia. As TRTs representam a formalização técnica de serviços executados por profissionais registrados, sendo também fonte de arrecadação obrigatória do conselho. Caso as suspeitas avancem e sejam comprovadas, a denúncia pode indicar um mecanismo de burla interna capaz de gerar prejuízo financeiro à própria entidade.
O boletim menciona que o declarante realizou consultas públicas em parte das TRTs listadas e constatou que os serviços apareciam como iniciados e concluídos sem o recolhimento das taxas correspondentes.
Mais grave ainda é o fato de o documento citar nominalmente integrantes da estrutura administrativa e política do sistema. Entre os investigados mencionados estão o até poucas semanas presidente do CRT SP, e, agora, candidato à presidência do CFT.
O boletim também ressalta que alguns dos citados ocupam cargos estratégicos na administração do CRT-SP ou participam diretamente da disputa eleitoral do sistema. Um dos pontos mais explosivos do relato é justamente a conexão entre a investigação policial e o ambiente eleitoral do conselho.
Segundo o documento, material de campanha teria sido encontrado na mesa da presidência da autarquia, fato que, segundo o próprio boletim, poderia contrariar dispositivos da Resolução CFT nº 277, que proíbe propaganda eleitoral dentro das dependências da autarquia.
Embora o caso ainda esteja em fase inicial de investigação, o episódio produz forte desgaste político e institucional para o Sistema CFT/CRTs, que nos últimos anos vem acumulando episódios de denúncias, disputas internas, judicializações e questionamentos sobre governança.
Desde sua criação, o sistema já enfrentou crises relacionadas a eleições, denúncias administrativas, embates entre conselheiros, suspeitas de favorecimento político e conflitos internos entre grupos que disputam o comando da estrutura nacional e regionais.
Outro aspecto que chama atenção no boletim é a própria gravidade dos enquadramentos apontados preliminarmente pela autoridade policial. O registro menciona possíveis investigações por estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, e associação criminosa, no artigo 288.
Apesar da contundência das acusações, os investigados que prestaram esclarecimentos negaram qualquer fraude. A investigação agora deverá buscar elementos técnicos, financeiros e operacionais capazes de esclarecer irregularidade e fraudes estruturadas dentro da autarquia.
O caso ocorre justamente às vésperas das eleições internas que ocorrerão na próxima semana e definirão os próximos dirigentes nacionais e regionais, por quatro anos. A presença de candidatos e lideranças políticas entre os citados no boletim tende a elevar ainda mais a tensão dentro do processo eleitoral.
O documento da ocorrência foi registrado no dia 7 de maio de 2026, no 8º Distrito Policial do Brás, em São Paulo, e posteriormente remetido para outra unidade policial responsável pela continuidade da investigação.





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