Durante décadas, a política fluminense esteve concentrada na capital e na Baixada Fluminense, no entanto, esse cenário vem se transformando de maneira acelerada — e, ao que tudo indica, irreversível. O interior do Estado volta a reivindicar o protagonismo com lideranças consolidadas, musculatura eleitoral crescente e um capital político.
Campos nos últimos 27 anos viu dois políticos da cidade ocuparem o posto mais alto do Palácio Guanabara: Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho. Ambos governaram o Rio de Janeiro e imprimiram, à sua maneira, a força do interior no cenário estadual. Mas, é fato também de que esse histórico reforça a tese de que o protagonismo fluminense, mesmo que sendo um representante do interior, invariavelmente precisa emanar da atuação na capital.
Hoje, quem melhor simboliza essa nova era é o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União). Reeleito com ampla votação, Bacellar fez história ao ser reeleito Presidente da Alerj, por unanimidade — um feito inédito. Sua ascensão representa um sinal claro de que o interior voltou a ser um ator central no tabuleiro político. Com passagens relevantes pelo Executivo estadual, como a Secretaria de Governo, Bacellar soube traduzir capital político em ação, ouvindo e atendendo as demandas dos Prefeitos do interior. Foi mais do que gestão — foi representatividade real.
Nesse cenário outras lideranças que merecem atenção em 2026, Welberth Rezende (Cidadania), prefeito de Macaé, e Wladimir Garotinho (PP), prefeito de Campos. Ambos vêm de reeleições bem-sucedidas. Welberth é técnico, articulado e discreto. Wladimir, por sua vez, constrói sua própria trajetória amparado em uma gestão firme e popular, contando com apoios nacionais de seu partido. Ambos tem caminho traçado para uma disputa em 2026 visando o Congresso Nacional.
Há também nomes com menos visibilidade midiática, mas com densidade eleitoral inegável, como a deputada estadual Carla Machado (PT). Ex-prefeita de São João da Barra por quatro mandatos, Carla mantém uma base sólida e demonstra habilidade política notável, mesmo longe dos holofotes.
É verdade que o colégio eleitoral do interior não se iguala ao da Região Metropolitana, mas a força dessas lideranças transcende a geografia. Rodrigo Bacellar, por exemplo, conseguiu romper as barreiras regionais e se projetar como uma das principais figuras políticas do Estado, com trânsito livre em todas as regiões.
O governador Cláudio Castro, atento aos ventos que sopram, mantém uma aliança sólida com Bacellar e também tem seus próprios projetos políticos para 2026. O cenário que se desenha sugere que, mais uma vez, um nome do interior poderá ocupar posição de destaque na sucessão estadual — ou, ao menos, será peça-chave nas chapas majoritárias.
O interior do Rio quer voltar a comandar o Estado — e tem nomes, força política e legitimidade para isso.





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