A política do Rio de Janeiro parece condenada a repetir seus próprios fantasmas. Governadores surgem embalados pelo discurso da renovação, da eficiência e da estabilidade, mas acabam tragados pelas mesmas crises que prometeram combater. Agora, mais uma vez, o centro dessa engrenagem atende pelo nome de Cláudio Castro.
Ou, ironicamente, Cláudio Bonfim Castro.
Bonfim no nome. Nem tão bom fim assim na trajetória.
Castro talvez seja o maior símbolo recente da ascensão acidental ao poder. Tornou-se vice-governador quase por acaso na chapa de Wilson Witzel, em 2018, e viu de perto a queda meteórica do então governador até assumir o comando do Estado. Vale destacar que viu tudo muito bem de perto.
O vice discreto virou governador. Depois, reelegeu-se com ampla vantagem e consolidou uma imagem de estabilidade num Rio traumatizado por sucessivos escândalos políticos.
Mas o tempo mostrou que a calmaria talvez fosse apenas aparente.
Denúncias, investigações e operações passaram a cercar seu entorno político. Depois do Caso Refit, agora, a explosiva crise envolvendo o Banco Master e os bilhões do RioPrevidência, dinheiro de aposentados e pensionistas do Estado, coloca novamente o Rio diante de um escândalo de proporções gigantescas.
E a política, como sempre, trata rápido de abandonar quem ontem era celebrado.
Há pouco tempo, Castro era disputado em agendas, cercado por prefeitos, parlamentares e empresários. Hoje, dentro do PL, legenda pela qual lançou sua pré-candidatura ao Senado, o cenário parece outro, comclaro isolamento silencioso e distanciamento calculado.
A impressão é de que o ex-governador virou aquilo que a política costuma chamar nos bastidores de “lixo atômico”, alguém cuja proximidade passou a oferecer desgaste ao invés de benefício político.
Existe ainda uma ironia quase cruel nessa história. Durante os últimos anos, o Rio se acostumou a ver operações policiais acontecendo nas comunidades ao amanhecer sendo estas autorizados por ele, o cantor gospel. Agora, a imagem recorrente é a da Polícia Federal batendo à sua porta às seis da manhã, na luxuosa cobertura na Barra da Tijuca.
E agora? Qual e onde será a próxima aparição? Dessa vez não foi Xandão, como gostam de intitular o ministro Alexandre de Moraes, e sim, o ministro André Mendonça, que chegou ao SFT indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), ou seja, dessa vez não haverá o discurso direcionado e pronto.
A política devolve símbolos com uma velocidade assustadora.
Cláudio Castro chegou ao topo por acaso. Sobreviveu quando poucos acreditavam, acumulou poder e parecia destinado a um futuro longo na política nacional.
Me lembro bem que na segunda campanha, um amigo, um doce de pessoa, declarou publicamente que o futuro não lhe deixaria passar impune diante a tantos sinais que já eram dados. Agora, olhando o cenário atual, as denúncias, o isolamento crescente e a deterioração pública de sua imagem, fica difícil não concluir que o acaso lhe deu o começo, mas o fim… definitivamente não parece tão bom assim.





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